- Quando eu morrer, do que tu vai sentir falta em mim?
- Teu ombro
- Sério? Tanta coisa pra dizer e tu vem com isso.
- Cala a boca. Esse é com certeza o melhor lugar do mundo pra repousar minha cabeça. É o meu preferido. Além de descansar, ainda ganho carinho das tuas mãos e beijinho na testa.
- Eu vou sentir falta de alguém pra responder minhas perguntas aleatórias. Alguém que me responda com esse sorriso teu. E também do jeito que você fica quando erra a música que tá cantando. Fica toda bonitinha enrolando, fingindo que sabe a letra.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
Eu sei de cor
Dia desses, perdida em outro diálogo inventado na cabeceira da cama, fiquei lembrando você. É engraçado esse teu jeito que ri pra tudo. Tu fica desesperada e ri. Quer disfarçar o que errou e ri. Quer fugir e ri. Tu ri até pro carteiro que vive entregando correspondência errada e esquece o teu nome. Tu ri pro mundo mas nunca sorriu pra mim. Tu sequer me olha.
Se a gente chegou até aqui foi porque eu te trouxe comigo, tu nem quis tentar. Saiu da rodoviária, pegou as malas e jogou no chão, se hospedou ali. Sem espaço pra visitas, um lugar longe de mim, onde eu não posso te tocar.
Teus livros e teu violão, teus acordes e teus versos. Eu e minha solidão barulhenta demais pro amanhecer da noite. Cansei de te ter sem ter, vou te deixar voar.
sábado, 8 de setembro de 2012
Desligo você
Tantos dias sem chover que até a lua se escondeu. Se ela conseguisse me enxergar lá do alto, provavelmente resolveria migrar pro canto do meu olho. Ou pra debaixo dele. Só do lado esquerdo pois o direito já secou.
Na claridade do abajur a cabeça dá nova chance ao pesar. Talvez os olhos enxerguem melhor quando fechados. Me deito sozinha na cama, ouço as paredes e seus conselhos sobre a menina que tanto acompanhou. Não há quem toque a melodia do fim, a trilha sonora do nosso romance dramático com pitadas de humor desafinou.
Teu olhar de reprovação e tuas frases feitas me fazem lembrar do início e de como era fácil deitar em você. Até o amarelo claro do teu sorriso me fazia florir. Hoje vejo que o doce mar que carrega em teus olhos é salgado demais pro meu café da manhã.
É como levar um tiro no peito e agonizar por dias sem derramar uma gota de sangue. Seria mais fácil se a metáfora fosse outra.
- Tu acha que a gente vai durar?
- Acho que a gente não passa dessa música.
Na claridade do abajur a cabeça dá nova chance ao pesar. Talvez os olhos enxerguem melhor quando fechados. Me deito sozinha na cama, ouço as paredes e seus conselhos sobre a menina que tanto acompanhou. Não há quem toque a melodia do fim, a trilha sonora do nosso romance dramático com pitadas de humor desafinou.
Teu olhar de reprovação e tuas frases feitas me fazem lembrar do início e de como era fácil deitar em você. Até o amarelo claro do teu sorriso me fazia florir. Hoje vejo que o doce mar que carrega em teus olhos é salgado demais pro meu café da manhã.
É como levar um tiro no peito e agonizar por dias sem derramar uma gota de sangue. Seria mais fácil se a metáfora fosse outra.
- Tu acha que a gente vai durar?
- Acho que a gente não passa dessa música.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Lá do horizonte
O maior problema do mundo é a pressa. Pressa pra chegar em algum lugar, pressa pra sorrir, pra chorar, pra sentir. A gente apressa a felicidade e depois fica se perguntando pra onde ela foi.
Não adianta reclamar e ficar sentado de braços cruzados esperando que tudo mude. O que acontece hoje no mundo é reflexo das nossas ações e você sabe. Nós o deixamos assim: doente e com medo de sair de casa.
O que você faz pra limpar a sujeira das almas? Acho que além de latas devíamos reciclar vidas.
Gosto de sorrir pra um desconhecido na rua e ele me sorrir de volta, ruim é saber que nem todos tem o costume de fazer isso. Deve ser coisa de gente grande e eu ainda não cresci.
Não adianta reclamar e ficar sentado de braços cruzados esperando que tudo mude. O que acontece hoje no mundo é reflexo das nossas ações e você sabe. Nós o deixamos assim: doente e com medo de sair de casa.
O que você faz pra limpar a sujeira das almas? Acho que além de latas devíamos reciclar vidas.
Gosto de sorrir pra um desconhecido na rua e ele me sorrir de volta, ruim é saber que nem todos tem o costume de fazer isso. Deve ser coisa de gente grande e eu ainda não cresci.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Do lado direito da cama
- E se eu morresse amanhã?
- Você não vai.
- E se? Não vale ser clichê e falar que vai morrer também.
- Se você morresse amanhã, eu morreria também. Não revire os olhos, quero dizer, eu não morreria literalmente, seria apenas um corpo vagando pela ruas. Veja bem, como é que eu vou ser feliz sem o brilho das minhas manhãs? Pode soar brega mas é sincero. Vou ser só uma velha presa num mundo de melancolia constante. E pare de me olhar desse jeito. Eu viraria uma dessas pessoas que tu encontra na rua com olhar distante de tão amargurado, aquele tipo que ignora a lua e as luzes da cidade. O que mais você queria de mim? Se você morresse amanhã, metade do meu eu perderia o sentido, deixaria de respirar. Eu iria viver apenas pra cumprir o contrato.
- Tipo aluguel de casa?
- Tipo aluguel de casa?
- Não.
- Apartamento?
- Não, você é mais como um remédio pra mim.
- Então eu sou a tua cura?
- Sim. Até que o efeito passe, daí eu teria que tomar outra dose. Ou comprimido. Sempre prefiro as cápsulas, evita o gosto ruim na boca.
- Mas não há contrato algum nisso, tu se perdeu na metáfora.
- É que eu sou hipocondríaca, por isso te mantenho aqui.
- Se você morresse eu iria pra outro país, um lugar bem gelado, quem sabe os Andes, ou sei lá. Compraria uma casa afastada da civilização e me trancaria dentro dela o dia inteiro. Ia me embebedar todos os dias, escutando nossas músicas preferidas pertinho da lareira pra lembrar da gente. Certamente o porre seria de vinho. Ah, e compraria um gato também, só pelo prazer de ser desprezada.
- Qual seria o nome dele?
- Pethit.
- Já pensou em tudo né?
- Tu sabe que eu gosto de detalhes.
- E de mim, você gosta?
- Se você morresse amanhã, não teria uma multidão chorando ao meu redor, seria discreto, tu sabe que eu não gosto de alarde. Provavelmente eu nem iria ao teu enterro. Acho que eu iria sofrer do meu jeito, deitada na nossa cama com tuas roupas, tuas fotos e teu perfume.
- Até o chapéu que você odeia?
- Com certeza eu iria usá-lo.
- Até o chapéu que você odeia?
- Com certeza eu iria usá-lo.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Esse aqui é pra você
Como proceder se um dia eu te encontrar na rua? Sabe, esbarrar os braços e derrubar tuas sacolas. Te dou um sorriso, um abraço ou finjo que nem vi? Talvez eu deva apenas te devolver as compras.
Não é adeus quando você não está pronta pra partir, ainda assim eu te disse tchau e dei as costas pra uma vida que não vivi. Se não te faço sorrir, que mais posso fazer? Não pense que eu tô feliz com a decisão, é que te quero bem demais pra deixar que alguém te trate mal.
Imagina só provocar o choro de quem eu amo tanto? Não vale a pena brincar de faz de conta e fingir que tá tudo bem. Eu sei que é culpa minha, por isso a porta quem bate sou eu.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Me diz, cadê você aí?
Um dicionário de sinônimos para as palavras repetidas e uma cola para as ideias não fugirem pra outras cabeças. Meus versos continuam espalhados nas paredes desse quarto imundo num hotel barato de beira de estrada, e a luz da rua entra pela fresta da janela pra tentar iluminar teu gosto amargo.
É no apagar das luzes que os morcegos dançam no céu das casas, e é no breu que os anseios adormecem e deixam flores abrir nosso caminho.
Isso que dá abrir os olhos enquanto ainda está sonhando, tu perde toda a frieza que salvou. Pudera eu viver num mundo cego de faróis e surdo de buzinas
Isso que dá abrir os olhos enquanto ainda está sonhando, tu perde toda a frieza que salvou. Pudera eu viver num mundo cego de faróis e surdo de buzinas
Não me deixe por favor, sou leve e ocupo pouco espaço na mala. Me leve como tua bagagem.
Tu me faz sorrir tanto que até desaprendi a chorar. Pois choro de alegria é sorrir com os olhos e a água serve pra lavar a alma. Vou traçar o meu destino em cada linha do teu corpo.
Tu me faz sorrir tanto que até desaprendi a chorar. Pois choro de alegria é sorrir com os olhos e a água serve pra lavar a alma. Vou traçar o meu destino em cada linha do teu corpo.
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