segunda-feira, 20 de julho de 2015

These scars of mine make wounded rhymes tonight

A única coisa produtiva que tenho feito é fumar, e isso só é produtivo quando você deixa de se importar. Você não se importa se vai morrer ou não. Se vai doer ou não. Se vai demorar ou não. Nada faz mais tanto sentido assim e você já não liga.
Eu não sei se vivo em parcelas ou se morro do mesmo jeito, embora não saiba se posso dizer que vivo quando na verdade eu apenas existo e ocupo espaço. Tá decidido, sou um fantasma vagando entre pessoas e suas histórias, sendo um grande tanto faz.
Me sinto aprisionada em meu corpo. Olho pra todos os cantos e não encontro uma saída, nem mesmo um lugar pra me esconder dessa loucura que é tentar viver. E não há nada mais tóxico que a vida.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Conversa de bêbada

Cansei desse teu papo pra me prender
e do teu choro de criança mimada.
Cansei do teu sorriso
 e dos teus beijos.
Cansei do teu nome
e do teu apartamento.
Cansei da tua cama,
dos teus dedos e dos teus gemidos.
Cansei do teu corpo quente colado no meu
e de como éramos nós.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Meus olhos, tão cansados, não querem mais te ver. Se entortam só de ouvir tua gargalhada do outro lado da rua. 
Meus olhos que já perderam noites a tua espera, hoje seguem sua rotina e descansam às 22h. 
Meus olhos, tão tristes, miram a esquina mais próxima e já pensam na conta do bar.

terça-feira, 25 de março de 2014

Desalento

Meu coração dói e tenta rasgar o peito, não consigo respirar. O que tenho é físico e real. Isso não é poesia, é o meu epitáfio.
Há um barulho melódico atravessando a rua e emudecendo meus pensamentos. Não os ouço há muito tempo, tua ausência ocupa grande espaço em minha mente. Tua tristeza pesa demais e eu perdi a capacidade de me entender. Sinto ter esgotado cada gota do que poderia expressar.
Anoto o que sou capaz de ouvir: conversas emprestadas em mesas vizinhas, amores emprestados de corações amargurados que encontro nas esquinas.
Nada disso aqui é meu, nem mesmo o nome. Me tornei poeira dos corpos que desejei.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Autorretrato

A cigarra canta e eu na varanda continuo a fumar. Deslocada, testemunho o vento quebrar na parede e ecoar pelos canos. Os olhos dela permanecem vidrados no celular. Não a culpo, estou trancada no meu próprio mundo. Imersa numa teia de egocentrismo que me impede a aproximação. Já não sei falar sobre o amor, nem sobre qualquer outro assunto. Me sobra tempo, me falta vida. Na verdade o que falta é vontade de viver. Me usam como artefato de espanto, sou assustadoramente vazia. Costumo aparentar apatia, descaso com o sentimento alheio. Sou inofensiva, apesar de tudo. Idealizo pessoas, seus defeitos, conversas e até mesmo decepções. É um exercício rotineiro. Observo e analiso comportamentos. Não pra me sentir superior (me falta autoestima pra isso), o faço pra tentar entender um pouco mais a respeito dos que me cercam e a mim. Fujo de interações sociais, prefiro ser espectadora ou mera vírgula em histórias diversas. Meu único trunfo é escrever. Escrevo porque gosto, não por obrigação. Não espero que alguém leia e se identifique com isso. Escrevo porque foi essa a maneira que encontrei pra esvaziar. E é sempre bom desabar num caderno amigo.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Let me forget about today until tomorrow

Vesti meu melhor sorriso pra te encontrar na madrugada, na quietude dos passos vagarosos e tamborilar dos dedos febris. Você só deixou o silêncio e isso me apavora.
Deixei a luz acesa pra brincar com as sombras na parede. Dancei como fumaça que sai da boca e voa leve pra todos os cantos. Fechei os olhos, perdi o medo de ficar presa na minha cabeça. Chamei teu nome, bebi um pouco de vinho. Mais um gole. Um pouquinho mais. Fiquei bêbada e acendi um cigarro.
Deitei no chão e percebi que o céu só é bonito quando você está nos meus braços. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

We'll be nothing but dust

E lá vem essa tristeza me tomar o peito, parece até minha dona. Mal sei eu de mim, como podes saber? Mais uma vez veio me atormentar.
Dor agonizante, quase fura. Faz sangrar minhas veias de defunto. 
                                                                    Morro pelo sopro como se fosse vela.