segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pega a solidão e dança

Meus olhos continuam vidrados numa direção bem além do que consigo enxergar. O sol lá em cima brinca de se esconder atrás das nuvens. Vem chuva por aqui e não tenho papel pra secar tanta água.
A tinta da caneta preta tá acabando e ainda não achei rima boa pra fazer com teu nome. Você não pode ser azul, vermelho ou qualquer outra cor, só o preto lhe cai bem.
Queria musicar algo sobre o que aconteceu sem a melancolia dos meus textos cansativos. Queria fugir da mesmice escrita nesse caderno, vivo de um assunto vago e já usei todas as palavras que tenho sobre ele. Meu vocabulário é limitado.
Já te rasguei de trechos aleatórios em textos imensos que tenho na cabeça, chego aqui e eles se colam. Coisa chata que não sai da caneta.
Será meu desânimo efeito teu ou do remédio?
Eu até quis brincar de escrever sobre você, fantasiei todas as mentiras e transformei nesse carnaval de ilusões. Esqueci que não sei sambar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

So take this love, take it down

Caneta na mão, uma folha em branco esperando pra ser usada, o sentimento aflorado e eu aqui, sem saber o que escrever. Não sei descrever o que tá acontecendo, só sei que a culpa é tua.
Essas lágrimas que ficam a passear por meu rosto, essa depressão repentina que me vem toda noite quando lembro de ti. Noite, dia, é só a cabeça ficar vazia pra você me visitar. Preciso de um novo passatempo.
É difícil dizer pro papel a dor que você me traz depois de tantas alegrias que já contei aqui. Às vezes penso que tudo isso é um sonho ruim e que a minha menina vem me acordar. Não entendo porque você foi buscar em outra boca o que podia encontrar na minha.
Guardei meus melhores beijos, pensei meu futuro ao lado teu. Você destruiu meus planos. Deveriam ser os teus também. É horrível saber que vivi uma mentira e que mesmo assim ainda te quero.
Sei que não vou conseguir te apagar de mim, só quero aprender a viver contigo no peito, com esse buraco que não quer cicatrizar.
Vou te sentir de longe outra vez.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Deixa o amanhã e a gente sorri

Parei pra sentir o cheiro do asfalto e olhar o laranja do sol no céu. Com gosto de cigarro na boca pra tirar esse azedume do meu peito, olhei meu passado caminhando ao lado do teu presente. Agora entendo o que nunca fez sentido.
Já não é tão fácil te imaginar, tuas formas foram se perdendo e ganhando tons de cinza na memória. Teu olhar já não olha pra mim, teus ouvidos não me escutam, ainda que eu grite teu nome. 
Quero voltar onde a gente se esqueceu, talvez haja algum pedaço teu pra me colar. Guardei teu melhor sonho pra quando eu voltar, quando eu abrir tua porta e me jogar na tua cama, enrolar o teu lençol em nós. É só vontade de te provar um pouco mais, de te calar a covardia, te fazer cantar a melodia que deixamos de dançar.
Por agora, te observo pela janela do imaginar. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sentada, esperando o amanhecer

                                        - Minha vida tá igual o teu livro.
                                                      - Velho e surrado?
                                        - Também. E de cabeça pra baixo.

Me bateu a depressão da meia-noite e são apenas onze horas. Enquanto você vive no teu castelo frio e distante, lembranças tuas vem me aquecer a noite.
Eu não queria que fosse assim, tuas juras se perderam em outra boca. Queria que isso fosse apenas outro sonho ruim e que tu viesse de manhã me acordar. Não consigo me acostumar a viver sem teu sorriso, vivo a forçar o meu pra aparentar o que não sinto.
Quero olhar pra frente e não te encontrar em mim, quero te rasgar da memória mas te guardei num lugar onde não dá pra apagar. Quero ser forte pra escrever alguém no teu lugar.
Vou parar de te lembrar e de não deixar tu me esquecer, o tempo vai me ajudar a te anular. Preciso reerguer minhas paredes, preciso me encontrar pra tentar te perder. Espero um dia lembrar de ti sem lágrimas nos olhos, espero lembrar você e sorrir. Você me destruiu, menina. 
Você desfez nosso futuro, hoje sou só eu na madrugada.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Das lágrimas na minha blusa

O sol se põe atrás de outro desses prédios imundos que povoam a cidade. O verde deixou de existir, o azul do céu já desbotou, o cinza empoeirado nos roubou a cor.
Da janela embaçada do ônibus observo uma multidão de almas queimadas, cheias de si. Eu vejo desespero, imagens desconexas presas no labirinto dessa cidade pequena. Ninguém sabe a saída, não há placas por aqui.
Vejo nosso quarto, onde cabia apenas o silêncio e a melancolia de mais um dia que o céu pintou. Minhas lágrimas caindo acompanhando o ritmo da chuva, e na tua cama um corpo rabiscado com versos de amor, aquele teu velho clichê. 
Sinto falta do teu gosto de cigarro na minha boca. Não foi ilusão, foi apenas um amor desacreditado, típico sonho bem sonhado que pedimos pra nunca mais acordar. Você queria ser perfeita enquanto eu só queria sorrir.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pelo interfone

Canções de apartamento que me deixam serena, que me apertam o coração.
De um jeito doce e sincero me faz pensar, me faz querer. Te deixa viver mais.
Tira a neblina da cabeça, traz paz ao gostar, me devolve o pranto. Me deixa presa em devaneios, faz meu prazer em anotar frustrações se aflorar, deixa toda a solidão de lado e me devolve a solitude.
Canções de apartamento que eu só ouço em casa.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Se você me leva eu vou

Dormir lembrando tua voz, acordar chamando você. Ficar feliz ao te ver abrir os olhos, abrir a porta, abrir os braços pra me acolher. Deitar com tua foto ao lado, no celular, acordar contigo me chamando pra tomar café.
Fechar os olhos e sentir teu gosto na boca, teu corpo nas mãos. Guardar teu olhar no meu, e o teu sorriso se abrindo aos poucos, de lado, todo tímido.
Um dia desses senti teu perfume passeando pela sala de estar.