segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Te empresto minha neblina

Me dê um gole de teu melhor romance, enquanto fico a observar tuas conquistas baratas pra aliviar a dor que já não sente. 
Fiz uso do clichê quando nada mais fazia sentido, tu me respondeu com aquele eu te amo dito no calor do momento, puro reflexo pra tentar se esquivar de outra de minhas perguntas. E cada pétala de tua flor refletia teu cruel jogo de gostar, teu mal me quer sem nenhum bem. 
Não precisa mentir pra mim, reconheço teu olhar de culpa, tua voz falhada querendo se entregar. Sei que você foi vê-la outra vez, sei que já não somos como antes, as palavras não mentem. Espero que ela te faça sentir o que tanto procura.
E o que me resta é só mais um pouco daquilo que alimenta, é a ilusão de me sentir completa e depois notar que eram apenas fragmentos que nunca se encaixaram. É o meu coração nas mãos dela, quase que esmagado, sendo apertado lentamente até vazar.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vem cuidar de mim

Chorar poderia ser a solução pros meus problemas, mas nem a água é capaz de me lavar.
Fim de domingo, o coração jogado no canto da sala, a felicidade em mãos que não são minhas. Já é de costume me ver refletida nos teus olhos, na tua voz.
Me vejo no chão, teu corpo alinhado ao meu, disputando em harmonia espaço no colchão. Espaço pra se amar.
Me deixo levar pelo balanço da rede, pelo dançar de teu corpo, pelo procurar das mãos.
Te deixo dominar com o piscar dos olhos, com o abrir dos braços me chamando, com teus dedos presos em carinhos pelo corpo.
Me deixo guiar por teus passos quietos, arrastados, sem deixar pegadas por aí. Seguro tua mão sem medo, sigo o caminho que você trilhar.
Me vejo sonhando acordada, sem você do lado pra me alegrar.

sábado, 29 de outubro de 2011

Preciso parar de te sentir

Não sinto mais, me falta inspiração, nada me alegra, meu sorriso perdeu a cor. Na verdade ele ganhou o amarelo do teu adeus.
Não que eu sinta tua falta, são teus abraços que me perseguem, teus beijos que os sonhos recordam, tua voz que me assombra os ouvidos.
Não é saudade tua, é o fim de tarde jogada no sofá, os risos abafados, os carinhos discretos, os olhares presos, teu pessimismo pra me irritar, nossos planos que não vão se realizar.
Não é que eu te queira de volta, são as nossas conversas, o teu bico feito pra morder, o teu medo se juntando ao meu, a distância separando tudo, o meu amor se amedrontando todo. É a minha menina, a sua morena.
Ainda guardo o meu pra sempre mas nunca irei voltar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Do lado de fora

Essa tua armadura tão bem estruturada, não há espaço para entrar. Teu mau humor rotineiro, amigo de teu riso sarcástico e amarelo de tão velho e gasto.
Vê nos livros uma maneira de se esconder, de se perder em histórias que queria viver. Teus olhos tão cheios de medo que já não se pode ver a cor. Não sei se acredito no teu azul.
Tantos caminhos pra trilhar, foi escolher logo o meu. De mãos dadas, conseguia sentir teu coração perto do meu, batendo em sincronia como numa melodia bem ensaiada. A letra não combinava, mas parecia tão certo. Me desencontrei.
Não sei onde erramos, de próximo ficou distante mesmo estando ao lado teu. E o sol que antes brilhava e me aquecia, hoje fica atrás das nuvens e nos cega de rancor.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Mesmo que mude

Sentir frio e correr pra te abraçar, me aquecer no calor que teu corpo produz junto ao meu. Usar teus lábios molhados com gosto de vinho e cigarro pra sanar meu vício. Escutar contigo nossas músicas, discutir na cama embaixo das nossas cobertas, vamos conversar em silêncio, as palavras já estão muito gastas.
Meu eu te amo sussurrado no pé do teu ouvido, enquanto imagino tua cara envergonhada e teu sorriso bobo que tanto gosto. Fico te olhando até quando você não está por perto, é só fechar meus olhos.
Vou voltar a ser criança e me esconder nos sonhos teus.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vamos dançar

Toda vez que penso em desistir, fecho os olhos e abro teu sorriso, deixo tudo de ruim pro lado de fora e me concentro em você, na felicidade que mesmo de tão longe você me traz. O destino nos uniu por saber que nos pertencemos.
Eu quero sorrir com teus lábios nos meus, quero deitar no teu colo e ser a tua morena. Espero fazer com que se encontre em mim antes que eu me perca.
Me dê a tua mão, venha dançar comigo ao som dos carros, iluminadas pelas luzes da cidade, observadas por olhares de reprovação daqueles que já não sabem viver. Venha, vamos virar a esquina e amanhecer o dia, acordar a vizinhança com nossa alegria. A rua nos espera pra chover.
Enquanto não posso te levar, trago comigo a saudade do que ainda não vivi.

                                   "E é tão teu, meu coração aflito e manso"

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Feche os olhos

Sinto tanta coisa que acabo me sentindo vazia, sentimentos irrelevantes, inexistentes. Sou intensa demais, imatura demais pra entender tudo isso. São sentimentos ocultos, calados, abafados por quem não se permite mais sentir. Foram deixados de lado, escondidos num buraco dentro de ti. Foram feitos pra você, não havia uma caixa pra guardar. Sentimento libertário escravizado por minha riqueza irracional, será um eterno criado teu. Inúteis, inofensivos, recheados de melancolia, transbordando desgosto e desapego teu.
Não é triste lembrar você, só não me alegra os olhos ainda te ter em mim.