terça-feira, 3 de abril de 2012

Virando a esquina

É hora de seguir em frente, você e eu. Essa é a última vez que escrevo algo sobre ti. Já não existe nós, somos folhas arrancadas do caderno que nos acolheu.
Não há lágrimas nesse adeus, você já me deixou partir. Eu te tirei do lugar, me encontrei em outro alguém e de lá não saio mais. Não há motivo para músicas tristes continuarem a tocar.
Sinto saudade de como a gente era antes disso tudo, antes de deixarmos um sentimento ilusório entrar e bagunçar a gaveta. A casa estava arrumada mas esquecemos de trancar a porta.
Somos restos inteiros de uma metade que não deu certo, fomos instantes pequenos de um álbum repleto de canções de despedida. Hoje somos estranhas conhecidas atravessando a rua por entre os carros para evitar um olhar. 

sábado, 31 de março de 2012

Clareia minha vida, amor

Você que me devolveu a voz, trouxe de volta o canto.
Você me deu teu colo, me roubou o pescoço e fez dele tua moradia.
Você que me roubou os sonhos, tirou de mim o pranto.
Hoje é tudo teu, é nosso. Sempre foi você, até quando não era.
Fecho os olhos e vejo um lindo raio de sol atravessar a cortina do nosso quarto, enquanto te acordo com um beijo e te tiro da cama. A noite te levo pra varanda, gosto de ver a lua contigo, contar as estrelas enquanto dividimos um canto na rede.
Pois é, agora tu sabe o que acontece no meu mundo de sonhos. E nem preciso dormir, é só lembrar você pra nossa realidade imaginária se aflorar no pensamento e quando dou por mim, tô no teu mundo e não dá pra colocar os pés no chão.
Vê se não ocupa todo o espaço dessa cama de solteiro que eu tô indo aí deitar contigo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Baby, I'm sure

Esbarro no teu corpo guardado num canto do meu, tu me prepara um café e puxa a cadeira pra se sentar. Tomo teu beijo como desjejum, tu abre o sorriso e me morde o lábio. Dá pra sentir teu perfume pela casa inteira.
Vou te trancar no meu quarto, deitar você no colo enquanto a chuva cai lá fora, usar teus braços como escudo pros trovões que tanto me assustam. Mallu, Cícero, Tulipa, Camelo, e tantos outros, irei sussurrar todo dia em teus ouvidos, enquanto te faço carinho e te prendo mais em mim. 
Vou te olhar a noite toda, te deixar com vergonha, te fazer rir e me encantar ainda mais com teu riso meigo. Quero pegar tua mão e não mais soltar.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Éramos nós dessa vez

É engraçado ver como tuas barreiras crescem e se modificam. Teu mau humor ficou pra trás, hoje você se esconde atrás dessa maquiagem borrada e de umas garrafas de bebida, quase se esquece de mostrar o lindo sorriso que já me conquistou um dia. Me lembro da nossa primeira conversa, da minha primeira certeza. Não gosto muito de lembrar do que deu fim ao nosso pra sempre, talvez por isso ainda sinta tua falta.
Saudade não tem nada a ver com merecimento, você esteve presente em grande parte da minha vida, é impossível vir hoje e dizer que não sinto nada. Na verdade, tu faz parte de um pedaço que eu não vou apagar, independente do que houve entre nós. É tudo bem maior do que você e eu, do que o tempo fez acontecer, é algo que não dá pra colocar em palavras e você sabe. 
Canto bem alto, quase gritando, pra tentar alcançar o teu ouvido e te fazer entender tudo o que eu não falei.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

De tanto fingir

Não quero acordar e ter de lidar com a realidade, nos meus sonhos é tão mais fácil ser feliz. Fiz de você meu sol, hoje não tenho como me aquecer.
Mais um dia recheado de tédio, e eu tentando me livrar de coisas que me lembram você. Fotos, textos, músicas. Gastei minhas melhores músicas contigo. Você não tem mais.
Me esqueço de ti a cada trecho que te lembro, falo tanto sobre nós que um dia me canso e te apago de vez.
Não choro tua ausência, nem tento preencher a lacuna que as quatro letras deixaram aqui. Deixo o vento te levar pra longe, deixo estar que só o tempo cala tudo.
Vou forçar o riso pra ela rir de mim.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pega a solidão e dança

Meus olhos continuam vidrados numa direção bem além do que consigo enxergar. O sol lá em cima brinca de se esconder atrás das nuvens. Vem chuva por aqui e não tenho papel pra secar tanta água.
A tinta da caneta preta tá acabando e ainda não achei rima boa pra fazer com teu nome. Você não pode ser azul, vermelho ou qualquer outra cor, só o preto lhe cai bem.
Queria musicar algo sobre o que aconteceu sem a melancolia dos meus textos cansativos. Queria fugir da mesmice escrita nesse caderno, vivo de um assunto vago e já usei todas as palavras que tenho sobre ele. Meu vocabulário é limitado.
Já te rasguei de trechos aleatórios em textos imensos que tenho na cabeça, chego aqui e eles se colam. Coisa chata que não sai da caneta.
Será meu desânimo efeito teu ou do remédio?
Eu até quis brincar de escrever sobre você, fantasiei todas as mentiras e transformei nesse carnaval de ilusões. Esqueci que não sei sambar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

So take this love, take it down

Caneta na mão, uma folha em branco esperando pra ser usada, o sentimento aflorado e eu aqui, sem saber o que escrever. Não sei descrever o que tá acontecendo, só sei que a culpa é tua.
Essas lágrimas que ficam a passear por meu rosto, essa depressão repentina que me vem toda noite quando lembro de ti. Noite, dia, é só a cabeça ficar vazia pra você me visitar. Preciso de um novo passatempo.
É difícil dizer pro papel a dor que você me traz depois de tantas alegrias que já contei aqui. Às vezes penso que tudo isso é um sonho ruim e que a minha menina vem me acordar. Não entendo porque você foi buscar em outra boca o que podia encontrar na minha.
Guardei meus melhores beijos, pensei meu futuro ao lado teu. Você destruiu meus planos. Deveriam ser os teus também. É horrível saber que vivi uma mentira e que mesmo assim ainda te quero.
Sei que não vou conseguir te apagar de mim, só quero aprender a viver contigo no peito, com esse buraco que não quer cicatrizar.
Vou te sentir de longe outra vez.